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rss Sindicação

Set252009

DO LADO DE LÁ
 

Se é pra recomeçar, se tenho que aceitar o pacote da mudança, se tenho que suplantar o medo com dosagens homeopáticas de coragem, digo que aproveito a oportunidade pra mudar muita coisa do lugar.

 

Menos ansiedade, eu começaria. Esperar cada coisa no seu tempo, pra mim, é esperar demais, é tarefa para os descansados e procrastinadores. Assim eu vou tentando lutar contra a maré clássica da inércia, e muitas vezes uma inércia necessária, mas um tanto quanto inaceitável pro meu ritmo. Ritmo, este é o problema, deve ser! O mundo dança valsa e eu neste samba atropelado, meio descompassado que só cansa. E no final, dança eu.

 

Se promessa é dívida, eu não quero prometer, só dou minha palavra – que supostamente deveria valer mais do que promessas, mas que me livra de cobranças – que vou andar mais devagar, sem vontade de arrumar a vida num ano só, de uma pancada só.

 

Também estive pensando, só pensando, em ser mais reservada, mais contida. Ah, como eu admiro gente assim! Que tem SUA casa, SUA vida, SEUS negócios, um monte de SEUS sem interferência de terceiros. Eu não, tadinha! Eu abro a porta de casa e já faço albergue, piquenique, grupo de auto-ajuda! Minha vida? Que minha o quê? Vira não só um livro aberto, mas de várias participações e autorias, vide algumas decisões que quase nem sou consultada! Ah, deve ser então este negócio de ser mais contida que me fez comprar cortinas! (quem me conhece sabe que nunca as tive. Meus vizinhos acompanhavam quase um reality show das minhas janelas! Rsrs) Comprei daquelas, bem grossas! Sem ser vista, sem ser notada, iniciando um mundo particular que me ensine a ser dona dele.

 

Quero mais comodidade, menos gasto de energia. Controle para a TV, som, DVD e se tiver um que manobre fogão, tanque e que redija petições, por favor, me apresente! Eu compro ou faço qualquer negócio. Quero um pouco da cozinha no quarto, um tiquinho do quarto na sala e assim por diante, tudo na distância de um palmo, só pra esticar o braço. E devagar, por favor.

 

Malhar não pra ficar sarada. Quero malhar pra comer doce, pra me permitir mais. Para rachar pizza, para o sanduíche das 22h. Isso sim é Lei das Compensações! Morrer na academia e acabar no shake diet é desequilíbrio e a minha nova política interna é a favor da harmonia.

 

Enfim, que as coisas saiam do lugar ou que eu as tire de mim. Pouco vai importar a ordem ou a origem, pois no final das contas, desde que a identidade permaneça e que não se alimente tanto o juízo, serei sempre eu mesma, só que vista às avessas.



Admin · 102 vistos · 5 comentários
Set252009

BYE


Disseram-me que canjica é papa e que o Mugunzá é que é canjica. A macaxeira era aipim e o Francês, pão de sal. Era nome ou apelido? Seis ou meia dúzia? Era no fundo tudo igual, só que uma banda do sul, outra do norte.

Vi até que as diferenças tinham suas enormes semelhanças. Ah, e que gente é gente, não tem segredo, farinha só.


Meu Espírito Santo, frescobol, praia, meus capixabas. Aqui em mim sempre caberá vocês. E agora, Alagoas, tão minha quanto tudo o que passou, tão boa quanto tudo o que virá.


Admin · 34 vistos · 1 comentário
Ago062009

PERCURSO

 

Na viagem de carro, ela encarava atentamente sua imagem traspassada pelo vidro e, mesmo com relutância, admitia restar só enfado. Consentir naquela hora já nem fazia diferença, afinal aquele passeio não terminaria mais na sua casa, mas num lugar dito especial, que de especial mesmo só restara o passado e as ternas lembranças.


Ele falava insistentemente que a visitaria sempre, que não a deixaria só. Ela sabia que estas palavras eram mais conforto que verdade; anestesia, por assim dizer. Saber disso tornava ainda mais aguda a sua dor, por mais que previsse essa ruptura necessária.


Estava estampado no seu rosto, no seu sorriso amarelo, de poucos dentes, o terrível assombro da idade, e mais, em seus olhos de um azul já turvo, em meio à catarata, lia-se de modo silente que não. Não, ela não queria ser deixada ali. Aceitar aquele lugar travestido de repouso, de tranqüilidade, era assinar sua sentença final. Era literalmente içar a ampulheta de sua contagem regressiva.


Naquela hora, ninguém achava mais interessante sua experiência sobre o mundo, seu relato de fatos históricos, sua cultura universal. Ninguém aplaudia sua sabedoria sagrada ou a ternura típica do tempo. Naquela hora era só a idade, sua osteoporose caquética e um tanto de rugas assim.


Ela não via mais privilégio algum em ter sido parte de uma longa passagem da vida. O carro já se aproximava e não se tateava nenhuma proposição ou argumento suficientes para voltar atrás. Ela até tentou pensar, mas digamos que a lógica não fazia mais parte dos seus dias. Já na rua de trás, era mais fácil obrigar-se a aceitar os fatos.


Chegou, disse ele, já fitando-a com um olhar tão penoso, quase que auto-punitivo. Ele optou pelo silêncio por saber que palavras não são abraços e beijos de bom dia. Optou por se despedir sem lágrimas, sem dor aparente. Cingiu-a em seus braços como que buscando sua própria absolvição e neste pequeno instante de despedida sentiu-se tão frágil e vulnerável quanto ela.


Do retrovisor, mais ao longe, agora ele enxerga sozinho a rua vazia. Não há medidas para saber se foi a coisa certa. Pouco adiantaria dedos apontados ou sacras penitências, agora ele preferia alimentar uma estranha sensação de paz, enquanto uma descuidada lágrima descia pelo rosto.


E ele virou a esquina.


Admin · 129 vistos · 3 comentários
Ago042009

EU TENHO ESTADO TÃO ASSIM...


Eu tenho andado mesmo distraída, é fato. De distraída à incendiária foi um pulo: no sábado à noite, por exemplo, passei uma blusinha e só descobri o ferro ligado no domingo à tarde. Ontem, minutos depois de cozinhar um macarrão ( não foi Nissin, tá?!!kkk), descobri que tinha fechado a tampa do fogão com o fogo aceso. E glória a Deus pelo livramento e que me salve do esquecimento! Rsrsrs (nota zero pra rima pobre!! kkk)


Até tentei refletir o porquê de tanta desconcentração (pra não dizer palavra pior!), mas no meio do raciocínio...ahhh...me perdi. É mesmo a doida da distração! Deve ser a fase, a espera das mudanças, o desejo medroso de recomeçar. E se eu não me distrair, as horas não passam e a espera fica mais dura ainda.


Quero aproveitar as pessoas, mas sem afobação. Sem tantas despedidas, sem violência, sem insônia ou falta de apetite. Não quero resolver a saudade, nem a ansiedade no braço, no muque. É melhor ficar à toa, cruzar os dedos, esperar por esperar, que passa.


Não tenho feito boas ações, nem caridade. Na verdade não tenho sido generosa nem comigo mesma: unhas descamadas, meio pintadas, meio não; cabelos esvoaçantes; nem batom, nem salto alto. (Por favor, Rochelle, distraída sim, displicente, never!)


Chico Anísio, calculando ter poucos dias de saúde, disse que “estava de saída apenas da chatice e das obrigações dispensáveis”, ou seja, isoladas às obrigações, só restou o que é vontade, só restou distração. Hoje vou adotando esta política de últimos dias (não que eu viva na ansiedade do fim), mas acho que pra ser leve, pra remediar sofrimento, tem que estar meio aérea aos encargos. (isso não inclui deixar o ferro de passar ligado, claro!rsrs)


Também quero ler um pouco distraída, não a ponto de perder o fio da meada, mas a ponto de não me cobrar uma compreensão grandiosa, aguçada, transcendente. Também quero escrever amenidades, sem função social, sem expectativa nenhuma, letra por letra, só por coerência, apenas. Só pra esvaziar.


Hoje, tenho menos compromissos e mais passeios. E há uma forte diferença nisso. Passear é estar à toa, é assobiar antigas canções, é cruzar os braços, chutar latinhas ao vento, fazer o que bem se entende ou não fazer nada, talvez.


E por enquanto eu vou andando, ilesa dos acidentes e vulnerável aos incidentes. Que me venha o futuro!


Admin · 86 vistos · 2 comentários
Jul302009

MUDANÇAS

Tudo novo de novo e a sensação do desconhecido me apavora.


Nem tudo se caleja com o tempo. Tem certas mudanças que sempre vão dar mesmo estrelinhas na barriga. É inevitável. Aqui não existe experiência, maturidade ou receitas mágicas que vão afastar o medo das novidades.


Mais uma vez, terei que refazer as malas, sem a missão de escolher as melhores roupas para o final de semana, sem ter medo de esquecer o fio dental. Serão malas completas, malas de tudo junto, malas que não voltam mais. Agora não fica nada, não cabe mais esquecimento.


Hora de dar tchau para os amigos ainda novos, de tirar as últimas fotos e as primeiras que serão coladas nos novos porta-retratos da minha futura casa. Tempo de guardar as melhores lembranças que por certo alimentarão muitas lágrimas num futuro próximo. É hora de se despedir da paisagem cotidiana, do barulho da vizinhança, do arrojado frio de inverno.


Móveis, roupas, acessórios, tudo vai virar caixa. (quem me dera encaixotar também meus receios, minhas inseguranças tão cegas!) Tudo vai perder a forma e ser adequado a uma nova realidade. Assim será com a Rochelle também: de cara nova, numa outra cena.


Deixar um mundo que é meu dói. Sair das minhas quatro paredes também dói. Abandonar minhas relações agregadas, de igual modo. Mas dor pior, dor pra valer, é a tal da saudade. Saudade que de já afeta minha barriga, meus hormônios, meu bom-humor. Saudade que me faz sofrer de véspera, que faz chorar e dar insônia. Mas também saudade que me faz lembrar que só é saudade porque foi bom, porque foi bom demais.


O novo chega de repente até pra quem espera. Afinal, a gente sempre pensa em crescer, em ganhar mais, em conhecer novos lugares... A gente pensa, torce, faz aquela figa, mas quando chega, quando acontece, sempre surpreende, sempre é desprevenido. Acho até que é pra não perder o mal de assustar. Porque o susto é um mal necessário, acredite! O susto nos faz abrir as garras, engatilhar as armas, juntar as forças e partir para o novo com a coragem necessária dos bons começos.


Por agora, consola-me ser ainda cedo pra dizer adeus e impulsiona-me ser tarde pra voltar atrás.


Admin · 165 vistos · 12 comentários

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